domingo, 25 de julho de 2010

Devaneio




Em devaneio, sonho pra mim com uma outra vida qualquer. Como ela seria, bem ao certo, não sei dizer.
E por não saber defini-la, assim completamente, insisto em pequenos detalhes...no som de algum sorriso que daria, num perfume que aspiraria ... e começo a despir, mentalmente, as roupas que usaria.
(eu seria Louise Brooks)
F.

sábado, 12 de junho de 2010

Dois perdidos numa noite suja - releitura Arnaldo Antunes


Quando eu quis você
Você não me quis
Quando eu fui feliz
Você foi ruim
Quando foi afim
Não soube se dar
Eu estava lá mas você não viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo em mim
Se eu já me perdi
Quando perdi você
Quando eu quis você
Você desprezou
Quando se acabou
Quis voltar atrás
Quando eu fui falar
Minha voz falhou
Tudo se apagou você não me viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Mas se eu já me perdi
Como vou me perder
Se eu já me perdi.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Varal

ilustração: Cecília Murgel


Vou pendurar minha tristeza no varal
e torcer pra fazer sol
Mas se o tempo fechar, não colaborar
não tem problema
Junto minhas coisas, me mudo
e vou secar as lágrimas em outro lugar...


F.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O amor é fogo


E se nesse espaço entre os beijos

A gente assim decidir

Acenderemos o pavio
e deixaremos o fogo alastrar...


F.



segunda-feira, 29 de março de 2010

Bastardos Inglórios


Sou totalmente fã do Quentin Tarantino. Considero-o um dos melhores, junto com Woody Allen e Tim Burton. Seu último filme, Bastardos Inglórios, é daqueles que fazem a gente não conseguir parar de ver nem pra ir tomar uma água. É mais um filme sobre o período da ocupação nazista...é "o filme" sobre esses serzinhos medíocres que constituem boa parte da nossa espécie humana.

No caso desse filme, destaca-se a atuação de Christoph Waltz como o coronel Hans Landa, que merecia um Oscar, se este fosse um prêmio realmente importante de se almejar. O personagem é um homenzinho que queima seus neurônios na caçada ao que ele chama de ratos judeus , mas que se incomoda visivelmente de ser visto apenas como um serviçal de Hitler. O coronel deixa claro, portanto, que os crimes que pratica não têm nada a ver com o projeto de Hitler e sim com soberba, pois ao cometê-los ele acaba por atribuir a si mesmo alguma relevância, em contraposição à total insignificância de sua vida no sistema.

Os interrogatórios do coronel são a melhor parte, um incômodo que dura o filme todo. Neles, temos a chance de vê-lo apelar à astúcia, uma invenção do homem para colocar a razão a serviço da burrice, ou seja, articular todos os meios possíveis para alcançar um fim, sem se preocupar com nenhum tipo de avaliação ética das suas ações.

O que diferencia Bastardos Inglórios de outros filmes sobre o tema é, contudo, a inconfundível linguagem tarantineana. As referências pop, o sarcasmo refinado nas falas dos personagens e a volência como mediadora das relações humanas são suas marcas. A crítica ao desvirtuamento dos valores artísticos e estéticos que um sistema político autocrático pode produzir é fantástica: o cinema vira propaganda ideológica do poder nazista e os rolos de filme, literalmente, viram armas da resistência. Ah, só mesmo Tarantino pra amarrar toda essa história com uma trilha sonora inusitada e genial. Tem "Cat People (Putting Out Fire)", de David Bowie...enfim, são tantas coisas interessantes que acho que preciso ver o filme de novo...

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